Pequenos gestos que marcam a diferença

No quotidiano das crianças e jovens em contexto de internamento, são muitas vezes os pequenos gestos que fazem a maior diferença — um sorriso, uma palavra de incentivo ou um momento de atenção podem transformar rotinas e trazer conforto. Paralelamente às atividades dinamizadas pelos museus, pela professora do apoio escolar e outras entidades, tem sido desenvolvido um trabalho contínuo ao nível curricular, em estreita articulação com as escolas de origem, garantindo que o percurso educativo se mantenha ativo e consistente, mesmo em circunstâncias desafiantes.

A partir da proposta da autora e ilustradora Sarah Cheveau, no livro À noite, na floresta, publicado pela editora Orfeu Negro, seguimos o percurso de uma criança corajosa num passeio noturno por uma bela floresta recheada de animais, vegetação e outras surpresas. Após a leitura partilhada da obra, exploraram-se as atmosferas daquele magnífico espaço com especial atenção às sombras, às texturas e aos contrastes presentes nas ilustrações. Conversámos sobre medos e coragem e sobre experiências de encontros com animais. Como prolongamento da leitura e interpretação da obra, os alunos realizaram experiências plásticas utilizando, entre outras ferramentas, “lápis” de carvão produzido com galhos de árvores queimados com os quais desenharam livremente sobre papel.

Para celebrar a época festiva do Carnaval, as professoras representaram um pequeno teatro de fantoches no qual procuraram explicar de forma divertida o significado desta festividade.
Em seguida, inspirados pelo universo cubista do pintor Pablo Picasso, os alunos criaram as suas próprias máscaras através da colagem de formas geométricas coloridas.

Para lembrar o Dia de São Valentim, pedimos aos pequenos e aos graúdos que passavam no corredor do Piso da Pediatria que contassem o que cabia no seu coração.

A partir da leitura da obra O pássaro da alma, de Michal Snunit, e inspirados pelas cores das emoções do livro A mala da alma, de Mafalda Castella e Pureza Mello, convidámos os nossos alunos a explorar o que sentem no seu coração. Falámos de emoções, partilhámos memórias felizes da infância e, com os mais pequenos, simplesmente demos espaço para serem crianças.
Depois, pusemos mãos à obra e cada um criou e decorou o seu pássaro da alma, escolhendo cores e materiais que refletissem o seu estado de espírito — único e especial.
Esta atividade integra a campanha do Laço Azul que decorre durante o mês de abril reconhecido internacionalmente como o Mês de Prevenção dos Maus-Tratos na Infância. Para assinalar este momento, criámos também um poema coletivo onde celebramos a infância para, assim, reforçar a importância de proteger os direitos de todas as crianças.
O resultado deste trabalho está patente numa exposição que decorre no Centro de Saúde de Alcabideche, a pedido da nossa querida Enfermeira Hortênsia Gouveia da Saúde Escolar da UCC Cascais Care.

Ser criança é ainda não ser homem,

é brincar nos baloiços ao vento, leve como um pássaro.

É rir sem razão,

é ser feliz sem medida,

é ser puro e verdadeiro.

A infância cheira a flores

e aos pudins Boca Doce da minha avó,

ao pão quente que saía do forno a lenha,

feito por mim e por ela,

e à terra molhada do quintal.

A infância soa a trovões ao longe,

a passarinhos a cantar

e aos carrinhos da minha pista.

Que saudade das canções da minha avó,

do ladrar da Lassie

e do cacarejar das galinhas!

Saudade das histórias antigas

contadas pelo meu tio

à volta da fogueira.

Gostava de ser criança para sempre,

ir à escola sem pressa

e não ter mais nada para fazer.

Nunca esquecerei os jogos com os meus primos,

nem a liberdade infinita

de brincar ao esconde-esconde.

Quando a infância passar,

guardo-a no bolso como conchas da praia.

Para que, na hora da tristeza,

eu me possa dela lembrar.

O museu vai ao hospital

Recebemos a visita da Andreia Dias, da Rita Cortez-Pinto e da Rita Luiz do Centro de Arte Moderna, da Fundação Calouste Gulbenkian, que nos ofereceram uma experiência verdadeiramente inspiradora.
A fim de divulgar a exposição Habitar a contradição, do artista plástico Carlos Bunga, e em diálogo com a sua série Nómadas, as mediadoras culturais dinamizaram uma atividade criativa que convidou os alunos a refletir sobre o significado de casa, abrigo, identidade. Inspirados pelas obras e pela ideia de habitar espaços em constante transformação, os alunos moldaram barro e deram forma à sua casa de sonho. Mais do que construir, imaginaram, sentiram e atribuíram identidade às suas criações. Cada casa recebeu um nome próprio e um significado muito especial: A Casa da Ponte, A Casa do Príncipe, A Casa Abraçada pela Árvore, A Casa Barco e a Casa da Ponte com Portal para outros Mundos.
Foi uma atividade na qual a arte se transformou numa experiência viva, sensorial e profundamente pessoal.

As nossas crianças e jovens participaram numa atividade dinamizada pelas mediadoras culturais do Museu da Música Portuguesa de Cascais, Ana Rita Dias e Marisa Marcko. Ao longo da sessão, tiveram a oportunidade de conhecer e experimentar vários instrumentos tradicionais, como os ferrinhos, as tréculas, a pandeireta, o adufe, entre outros. A partir de ritmos, descobertas, alguns sustos e risadas, os sons ganharam vida e contaram uma história, na qual apareceram duas vacas, a Chica e a Nem Eu, um pato, o Inventa, que, numa caminhada em direção à casa da Avó, por entre a chuva, os trovões e um sino que não parava de tocar no cimo do vulcão na Ilha do Príncipe, tiveram muito medo, mas também muita coragem.
Foi um momento de partilha, imaginação e expressão artística que certamente ficará na memória de todos.
O nosso agradecimento ao Museu da Música Portuguesa pela disponibilidade, dedicação e pela forma tão envolvente como aproximaram os nossos alunos do património musical.

Recebemos a visita do Fábio Esteves, mediador cultural do Museu Condes de Castro Guimarães, e da Beatriz, estagiária do Programa Experimenta, que nos proporcionaram uma viagem no tempo a um dos lugares mais icónicos de Cascais.
Assistimos a um teatro de fantoches superdivertido no qual os principais protagonistas foram os sapatos do Conde. Quem diria que um par de sapatos tinha tanto para contar? Também uma meia fedorenta, a Condessa e o Conde nos deram informações sobre a vida palaciana da realeza na época.
Uma mala misteriosa recheada de réplicas de objetos pertencentes ao espólio do Museu foi explorada para, assim, descobrirmos alguns dos tesouros que o Conde transportava consigo sempre que ia de viagem. Por fim, metemos mãos à obra e cada um de nós pintou e personalizou a sua mala de cartão. Agora, podemos levar um bocadinho do museu connosco e guardar lá dentro o que a nossa imaginação ditar! Foi uma tarde cheia de descobertas, mistério e criatividade na qual a aprendizagem e o lúdico andaram de mãos dadas, pois aprendemos detalhes fascinantes sobre estes Condes e sobre este espaço museológico que parece saído de um conto de fadas. 

Recebemos a visita das mediadoras culturais Andreia Dias e Dália Lourenço, dos Jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, que nos ofereceram uma tarde mágica recheada de cores e cheiros primaveris.
Começámos por mergulhar na história de uma menina persistente que, com pequenos passos e muita dedicação, plantou um jardim numa montanha. Inspirados pela sua coragem, partimos à descoberta e aprendemos a distinguir folhas e as suas características, assim como os curiosos bugalhos que nos enganam e mais parecem sementes.
Para eternizar esta experiência, pusemos as mãos na massa num workshop de Ecoprint. Usámos flores e folhas para criar impressões naturais únicas, trazendo um bocadinho dos jardins deste fabuloso espaço museológico até nós.
Um agradecimento muito especial à Andreia e à Dália pela forma carinhosa e inspiradora como guiaram esta atividade. Foi uma tarde inesquecível de aprendizagem e ligação com a natureza!

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