Sobre a importância da esperança

Mais um período letivo terminado, embora quem trabalhe por semestres já não o sinta deste modo. A trabalhar por semestres ou por períodos, a verdade é que, em tempo de pandemia, as aprendizagens e o percurso escolar dos alunos assumiram um papel de grande importância na sociedade.

As escolas de hospital sempre trabalharam neste registo de confinamento e, utilizando uma das expressões mais ouvidas no último ano, a distância. Assim sendo, os jovens e crianças que chegam ao hospital ficam desde logo confinados e afastados do seu espaço de origem. Por isso, os professores que com eles trabalham sentem a necessidade premente de os pôr em contacto com esse mundo que temporariamente parece longínquo e perdido, principalmente quando os internamentos são de longa duração.

Então, o que mudou nas escolas de hospital? Por um lado, um isolamento acrescido – como a inexistência de visitas dos familiares e amigos assim como períodos sucessivos e inesperados de quarentena – devido a restrições e medidas de segurança para conter a propagação do vírus. Esta proibição de visitas do exterior impede que projetos como O museu vai ao hospital não se concretizem e/ou fiquem restringidos a comunicações por videoconferência. Está a ser o caso de alguns museus do Bairro dos Museus, em Cascais, que, para dar cumprimento a uma parceria que dura há alguns anos com a escola de hospital do Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, se reinventaram (outra palavra muito utilizada nos dias de hoje) dando, desta forma, continuidade à passagem de conhecimentos e à consecução de tarefas de caráter lúdico e didático.

Por outro lado, o encerramento das escolas traz uma catadupa de atividades letivas que, na maior parte dos casos, são enviadas pelos professores das escolas de origem de igual forma para todos os alunos, os que estão em isolamento em casa e os que estão em isolamento no hospital. A verdade é que as realidades são bem distintas para falar apenas destas duas, pois sabemos que a pandemia deixa transparecer fragilidades que se encontravam escondidas ou sem grande visibilidade. Consequentemente, esta exigência no cumprimento das tarefas letivas e a adaptação da carga de trabalho proposta às circunstâncias do internamento hospitalar deixam pouco tempo de sobra para outras atividades de caráter extra-curricular.

Mesmo assim, a Diana e a Joana, mediadoras culturais da Casa das Histórias Paula Rego, ensinaram-nos a bordar, a partir da leitura e interpretação da tapeçaria A batalha de Alcácer-Quibir, da artista Paula Rego.

Videoconferência com as mediadoras culturais do museu. No quadro branco, a tapeçaria analisada numa das paredes do museu.

Os alunos assistem a uma visita guiada ao exterior da Casa das Histórias Paula Rego.

A Joana, mediadora cultural, fala com os alunos sobre o tema "guerra".

A Diana, mediadora cultural, ensina-nos através do monitor do computador a bordar.

Uma aluna a bordar o seu desenho.

Dois dos trabalhos elaborados em bordado: um representa um rosto, de um lado caem lágrimas e do outro existe um sol que diz: guerra não, o sonho é maior; o outro tem as palavras liberdade e 25 de abril bordadas a vermelho e um cravo no meio rodeado por um muro e um soldado.

Estes são alguns trabalhos requisitados pelos professores das escolas de origem dos alunos internados.

Desenho elaborado a lápis de cor que retrata o Museu Condes de Castro Guimarães, em Cascais.

Uma aluna a trabalhar na construção de uma borboleta articulada.

A aluna apresenta o seu trabalho final: a borboleta articulada.

Tudo o que se faz numa escola de hospital é, no fundo, proveniente de uma esperança infinita que mora dentro de cada um de nós, professores e alunos.

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