Curso Pedagogia hospitalaria

Professora Olga Lizasoain

A professora Olga Lizasoain, pedagoga e autora de livros sobre o apoio escolar a alunos em contexto hospitalar, ministrou recentemente mais uma edição do curso Pedagogia hospitalaria na plataforma Miríada X.
O curso apresenta os aspectos específicos do trabalho com alunos hospitalizados que, para além de conviverem com a doença e com os respectivos procedimento médicos, devem também resolver os problemas da ausência de uma vida normal e os impactos sobre os contextos escolares, sociais e familiares.
Os objetivos do curso são analisar o impacto da doença e da hospitalização na vida pessoal e social dos alunos e das famílias e apresentar propostas de ação a partir da pedagogia hospitalar para a inclusão social e escolar dos alunos em situação de doença.
Aberto para consulta a todos os interessados, o curso é constituído por 7 módulos: Contextualização da Pedagogia Hospitalar; A doença na etapa infanto-juvenil; A hospitalização e suas características; Indicações gerais de actuação pedagógica no hospital; As aulas hospitalares; Intervenção educativa domiciliária; O regresso à escola.

O curso está disponível em língua espanhola.
A plataforma Miríada X é uma iniciativa da Telefónica Educación Digital e da Universia que, desde janeiro de 2013, apresenta cursos online (MOOC) de excelente qualidade, propostos por de centenas de universidades ibero-americanas num espaço em que se transmitem conhecimentos de forma livre de modo a fomentar a partilha de experiências e ideias.
[Este artigo foi também publicado na página do CANTIC.]

Os direitos das crianças hospitalizadas

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A evolução da saúde infantil é uma história de sucesso (Machado, Alves e Couceiro, 2011)

Juntamente com a extraordinária queda da taxa de mortalidade infantil de 77,5 em 1960 para 3,6‰ em 2009, a esmagadora maioria dos indicadores de progresso do Plano Nacional de Saúde indicam melhorias significativas e consistentes a nível da população em geral e das crianças em particular.
Além disso, o esforço na humanização dos serviços de saúde tem provocado alterações na forma como é feito o atendimento hospitalar e como são protegidos os direitos dos utentes.
Nesse sentido, deixamos aqui a referência à Carta Europeia dos Direitos das Crianças Hospitalizadas, aprovada em Março de 1986 pelo Parlamento europeu, destacando os tópicos relacionados com o direito à educação durante o período de doença.

  1. Não ser hospitalizada se existir outro meio de tratar a doença. No caso de ser necessário o internamento num centro hospitalar, que o internamento seja o mais curto e o menos traumático possível.
  2. Hospitalização diurna sem que isso implique uma carga económica adicional para os pais/cuidadores.
  3. Estar acompanhada dos pais/cuidadores como elementos activos durante a sua permanência no hospital.
  4. Receber informação, adaptada à sua idade, sobre a doença, as técnicas e tratamentos administrados.
  5. Receber cuidados e tratamentos sempre pelo mesmo pessoal de enfermagem.
  6. Recusar-se a ser objecto de investigação.
  7. Os seus pais/cuidadores serem informados sobre a doença, sem que se ponha em causa a intimidade da criança.
  8. Os seus pais/cuidadores terem direito a dar a sua aprovação para os tratamentos.
  9. Direito a uma recepção adequada e seguimento psicossocial por pessoal especializado.
  10. Não ser submetida a experiências farmacológicas ou terapêuticas sem a autorização dos seus pais/cuidadores.
  11. Estar protegida pela declaração de Helsínquia no que se refere às experiências terapêuticas.
  12. Não receber tratamentos médicos inúteis, nem suportar sofrimentos físicos e morais que possam ser evitados.
  13. Ter direito a contactar com os pais/cuidadores em momentos de tensão.
  14. Ser tratada com respeito.
  15. Receber os cuidados de pessoal qualificado, tanto no plano físico como afectivo.
  16. Estar hospitalizada com outras crianças.
  17. Dispor de locais para os cuidados, brincadeiras e educação, e que cumpram as normas oficiais de segurança.
  18. Poder continuar a sua formação escolar.
  19. Ter acesso a livros, brinquedos e meios audiovisuais.
  20. Poder ter aulas durante a sua hospitalização diurna ou convalescença no domicílio.
  21. Receber os cuidados necessários. Se os pais/cuidadores se opuserem ou recusarem por diferentes motivos, será necessária a intervenção da justiça.
  22. Obter ajuda económica, moral e psicossocial no caso de necessitar de tratamentos no estrangeiro.
  23. Pedir a aplicação da presente Carta no caso de a criança necessitar de hospitalização em países que não façam parte da Comunidade Europeia.

Deixamos também a Carta da Criança Hospitalizada, uma versão simplificada da carta europeia, preparada em Leiden em 1988.

  1. A admissão de uma criança no Hospital só deve ter lugar quando os cuidados necessários à sua doença não possam ser prestados em casa, em consulta externa ou em hospital de dia.
  2. Uma criança hospitalizada tem direito a ter pais ou seus substitutos, junto dela, dia e noite, qualquer que seja a sua idade ou o seu estado.
  3. Os pais devem ser encorajados a ficar junto do seu filho devendo ser-lhes facultadas facilidades materiais sem que isso implique qualquer encargo financeiro ou perda de salário. Os pais devem ser informados sobre as regras e rotinas próprias do serviço para que participem activamente nos cuidados ao seu filho.
  4. As crianças e os pais têm o direito de receber uma informação sobre a doença e os tratamentos, adequada à idade e à compreensão, a fim de poderem participar nas decisões que lhes dizem respeito.
  5. Deve evitar-se qualquer exame ou tratamento que não seja indispensável. As agressões físicas ou emocionais e a dor devem ser reduzidas ao mínimo.
  6. As crianças não devem ser admitidas em serviços de adultos. Devem ficar reunidas por grupos etários para beneficiar, de jogos, recreios e actividades educativas adaptadas à idade, com toda a segurança. As pessoas que as visitam devem ser aceites sem limites de idade.
  7. O Hospital deve oferecer às crianças um ambiente que corresponda às suas necessidades físicas, afectivas e educativas, quer no aspecto do equipamento, quer no do pessoal e da segurança.
  8. A equipa de saúde deve ter a formação adequada para responder às necessidades psicológicas e emocionais das crianças e da família.
  9. A equipa de saúde deve estar organizada de modo a assegurar a continuidade dos cuidados que são prestados a cada criança.
  10. A intimidade de cada criança deve ser respeitada. A criança deve ser tratada com cuidado e compreensão em todas as circunstâncias.

Acessibilidade web

Computadores com imagem de cadeado no ecrã

Desde o início do ano letivo de 2013/14, uma parte importante do trabalho educativo realizado no Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, Hospital de Dona Estefânia, Hospital de Santa Maria e Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil tem sido partilhada semanalmente neste blogue. No sentido de participar na tarefa de tornar acessível a informação disponibilizada, no próximo dia 13 de janeiro, as escolas de hospital vão iniciar formação em acessibilidade web. Esta formação, com o nome Criação de sítios web acessíveis numa escola inclusiva, foi criada com o principal objectivo de promover a acessibilidade das páginas das escolas, de modo a cumprirem padrões de acessibilidade consentâneos com as directrizes do World Wide Web Consortium para que possam ser compreendidas e pesquisáveis por todos os utilizadores, incluindo pessoas com cegueira, baixa visão, surdez, limitações de movimento ou limitações cognitivas.
Um estudo da Universidade Portucalense do início de 2015 defendia que apenas um por cento dos sítios web das escolas portuguesas eram acessíveis. Um estudo sobre o estado da Acessibilidade dos sítios web dos estabelecimentos de Ensino Superior da Unidade Acesso da FCT de há dois anos referia que nenhum dos 336 sítios Web analisados alcança o nível de conformidade máximo das Directrizes de Acessibilibdade web.
Apesar deste quadro não dar conta, de forma completa, da realidade existente ou ser sequer justo para com os esforços de muitos daqueles que trabalham em prol da acessibilidade web, não é difícil vermos aqui um desafio grande que, mais de quinze anos passados desde os primeiros esforços visíveis no sentido da acessibilidade web em Portugal, importa vencer.
Para informação adicional sobre a acção de formação Criação de sítios web acessíveis numa escola inclusiva, leia o artigo Nova formação em acessibilidade web.

Votos de um ano de 2017 acessível.

Escolas de hospital

A sobrevivência de muitas crianças devido aos avanços da medicina é um feito extraordinário que se repete cada vez com maior frequência. Uma das consequências, infelizmente, é o aumento do número de pessoas com doenças crónicas. Um estudo de 2007 referia que as crianças com doenças crónicas nos Estados Unidos quadruplicaram nas últimas quatro décadas.
Por isso, o repto que representa o elevado absentismo destas crianças e o seu impacto no rendimento escolar, tem que ser respondido com estratégias e recursos que minimizem os efeitos negativos dos internamentos, tratamentos e especificidades de cada doença. Uma investigação publicada no ano passado mostrava que as crianças com doenças crónicas – e particularmente os que tiveram cancro, diabetes ou epilepsia, com um elevado número de faltas, que repetiram um ano ou que tiveram depressão – têm níveis de escolaridade inferiores aos dos colegas sem doença crónica.
A resposta educativa nas escolas de hospital é fundamental mas é cheia de desafios, um dos quais é a diversidade de níveis de ensino, idades e necessidades das crianças e as constantes mudanças na população discente. No entanto, a partilha entre escolas de hospital, a utilização de videoconferência, as parcerias com instituições, museus e escolas, a ligação a grandes projectos e a criação constante de micro-projectos têm contribuído para ambientes de aprendizagem cheios de actividades, estimulantes e preparadores do regresso à escola de origem.
Dito isto, a existência de legislação e recursos específicos facilitariam certamente a resolução de alguns dos problemas que a doença ou o internamento inesperados colocam a todos os intervenientes no processo educativo. É o que pedimos para o sapatinho.


Votos de um feliz ano de 2017!

Escola que sara os cortes

Foto de criança hospitalizada (Revista Sábado)

No recente encontro das escolas de hospital falámos de alguns alunos que, apesar de não terem a possibilidade de ir à escola presencialmente, conseguem acompanhar as matérias e, nalguns casos, transitar de ano.
A Revista Sábado, na edição do dia 23 de Junho, traz uma reportagem sobre a realidade de algumas destas crianças que, apesar da doença, não desistem da escola e conseguem manter impressionantes resultados escolares.
Com o título Ir à escola no intervalo da quimioterapia, a reportagem centra-se na importância da escolarização em hospital como forma de ultrapassar o corte com os amigos e com a vida escolar.

A escola é fundamental neste contexto, diz Maria de Jesus Moura, directora da unidade de Psicologia do IPO de Lisboa. “Mantém os projectos de vida das crianças. A dada altura tudo se concentra na doença: há sintomas, tratamentos, amigos e familiares que fazem visitas e falam sobre o tema. A escola é uma maneira de quebrar este contacto constante. Tem uma função adaptativa e, ao mesmo tempo, de protecção.” 

Para ler a reportagem completa, é necessário adquirir a Revista Sábado em papel ou digital.

19º Encontro TeleAula

Viajar é a única coisa que compramos que nos torna mais ricos

A reunião anual da rede de escolas de hospital do Projeto TeleAula decorreu no dia 21 de Junho na Escola Básica José Cardosdo Pires, na Amadora.
O CANTIC, o Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, o Hospital de Dona Estefânia, o Hospital de Santa Maria e o Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil partilharam as actividades, vitórias e desafios de mais um ano de trabalho e de colaboração.
O almoço partilhado foi pretexto para uma mostra de capacidades culinárias e exibição de talentos na área da cozinha vegetariana mas também para pôr outros temas em dia, para continuar a boa disposição e, até, para homenagens e despedidas “até já”.
A parte da tarde foi um brainstorming de ideias para a actividade magna que queremos concretizar no próximo ano lectivo.
Inspirados pela proclamação pelas Nações Unidas do ano de 2017 como Ano Internacional de Turismo Sustentável para o Desenvolvimento, também nós quisemos viajar e conhecer e, por isso, surgiu o tema condutor do ano – A Mala do Viajante. Todos percebemos que essa mala é física e é virtual, tem dentro um instrumento musical carregados de esperança e de sonhos ou experiências de dor, de expectativa e de alegria que são de cada um; é uma mala onde todos nos encontramos para um convívio ou uma viagem no tempo; é uma mala sem barreiras, inesgotável fonte de músicas, livros, espaços, instrumentos científicos e criaturas que só existem na imaginação; uma mala nova de recomeços ou desgastada pelo uso e coberta de autocolantes e passaportes pesados de carimbos.
Começou mais uma viagem de quem recusa ficar parado com uma mala transportada por crianças que certamente apreciarão a irrequietude dos seus guias.

Literacia e saúde

Mãe lê livro com a filha
Agora que o conforto dos fins de tarde e os fins de semana com sabor a verão nos convidam a retomar os livros interrompidos, parece mais do que nunca a altura para relembrarmos a importância da literacia.
Existem muitos estudos sobre os impactos da literacia na saúde. Todos parecem concluir que existe uma associação entre a baixa literacia e problemas de saúde.
Segundo um estudo canadiano, cuja validade foi recentemente reiterada pela Canadian Paediatric Society, promover a literacia é um aspecto fundamental a ter em conta na prática da medicina preventiva e vai mais longe dizendo que a literacia é não só um bom medicamento como também uma decisão económica inteligente.
O programa Ler+ dá saúde apontava para o papel dos profissionais de saúde na promoção da literacia e disponibilizava uma brochura com várias consequências directas e indirectas dos níveis de literacia na saúde.
Embora não tenhamos conhecimento em Portugal de projectos em que os profissionais de saúde ponham explicitamente em prática as recomendações decorrentes destes estudos, em muitos hospitais, no apoio às consultas e aos alunos em internamento, existem profissionais da educação que providenciam acompanhamento escolar.
No Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, Hospital de Dona Estefânia, Hospital de Santa Maria e Instituto Português de Oncologia de Lisboa consideramos fundamental a criação de espaços escolares estimulantes que proporcionem actividades educativas ricas, de modo a minimizar os riscos que, a nível escolar e social, podem advir dos internamentos.
A avaliação deste trabalho, parcialmente espelhado no blogue das escolas de hospital, é posta em comum no final de cada ano lectivo no Encontro TeleAula.
Para saber mais sobre as actividades que as escolas realizam e partilham entre si, visite o blogue dos hospitais. Para ver algumas imagens do 18º Encontro TeleAula, veja o artigo anterior e o vídeo que disponibilizamos aqui.
Este artigo foi publicado também no blogue do CANTIC

18º Encontro TeleAula

Imagem com logotipo do Encontro TeleAula (A maiúsculo com um smile dentro)
O Encontro anual da rede de escolas de hospital do projeto TeleAula, que envolve o Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, Hospital de Dona Estefânia, Hospital de Santa Maria e Instituto Português de Oncologia, realizou-se no dia 24 de Junho na Escola Básica 2, 3 José Cardoso Pires. Partilhar um ano de trabalho intenso e produtivo, falar das pequenas e grandes histórias, as vitórias e as perdas, contar dos alunos que foram passando pelas escolas e das actividades que, sob o mote “Ideias com Luz” definido no final do ano passado, com eles se foram criando, reflectir e desabafar sobre a difícil tarefa de, em condições adversas de saúde e isolamente, manter o interesse das crinças e jovens na escola são motivos sobejos, se mais não existissem, para celebrar. Este ano, juntámos também a celebração do 18º Encontro, com um belíssimo bolo comemorativo. Dezoito encontros depois, é importante recordar o enorme percurso realizado desde que no final da década de 90 se iniciou esta aventura, feita de muitas crianças e jovens mas também de muitos profissionais de saúde e, claro está, de muitos professores, tanto nos hospitais como nas escolas de referência!
Este ano, contámos também com as presenças da professora Isabel (da Escola de Alcabideche) e dos professores Alcides, Carlos e Victor (Escola da Bobadela) que nas Escolas de Referência têm criado desafios para os alunos (e os professores também!), enriquecendo ainda mais a prática das escoalas de hospital.
Depois de um magnífico almoço partilhado, com as iguarias que só aqui se provam, passámos uma excelente tarde de aprendizagem na companhia da professora Paula Abrantes que nos guiou no uso de alguns robots Lego Mindstorms.
Quanto ao próximo ano, já começou a ser preparado. Como a reacção ao tema proposto pela ONU (Ano Internacional das Leguminosas) foi facilmente unânime, o tema do próximo ano é Faz de contaFaz de contador, faz de conta-gotas, faz de conta, peso e medida, faz de conta-quilómetros, faz de conta que tanta coisa. E como o tema é tão aberto, já foram criadas balizas para uma exploração mais direccionada. Por isso, no próximo ano, a única coisa que não vamos fazer de conta é que será um ano magnífico. Porque não é preciso. Porque vai  ser.
 

 Este artigo foi publicado também no blogue do CANTIC.